Profissão Religiosa e Conselhos Evangélicos

“A profissão é o Sacrifício completo de si mesmo”, diz Madre Rejane. São Gregório também afirma que quem se consagra a Deus os seus bens, o corpo, a vontade, é uma vítima do holocausto. São Bernardo acrescenta que a “A profissão é um martírio” o homem velho, escreve S. Paulo-está crucificado em nós.
Jesus chama com uma vocação particular e pessoal aqueles que destina a este estado. A vocação Religiosa é uma grande graça, é a manifestação de uma escolha, de preferência de Nosso Senhor.
Os votos de pobreza, de castidade e de obediência, que constituem formalmente o estado Religiosa, devem ser emitidos e vividos no Espirito de amor e de imolação que lhes é peculiar.
Os conselhos Evangélicos são alguns meios sugeridos por Nosso Senhor no Santo Evangelho, para chegar à perfeição Cristã.
Os conselhos Evangélicos de Castidade, de Pobreza e Obediência, fundamentam-se não só nas palavras e exemplos de Nosso Senhor, mas, também representam na igreja a forma de vida que o filho de Deus escolheu para si, quando veio ao mundo para fazer a vontade do Pai.
“Te desposarei comigo em ternura e em amor. Te desposarei comigo em fidelidade.”
Os Conselhos Evangélicos comportam a graça da configuração com Cristo, consagrado e enviado. Exige um amor pessoal e esponsal para com ele fundamento e motivação última, para viver em comunhão com o Senhor e como ele, na castidade virginal, na pobreza voluntaria e na completa obediência ao Pai e ao desígnio de salvação.
“Enquanto houver pessoas apaixonadas por Jesus haverá vida Religiosa.” Entre os Conselhos Evangélicos sobressaem o dom precioso, concedidos a alguns, de mais facilmente se entregarem a Deus, com o coração indiviso, na virgindade e no celibato. O Conselho Evangélico da castidade, acolhido em vista ao Reino dos Céus, é sinal da vida futura e fonte de uma fecundidade mais rica, pois a castidade não é desprezo a sexualidade nem é voto de desamor, mas voto da maior radicalidade do amor. Emerge do amor humano que, em sua ultima profundidade, está aberto ao amor absoluto.
O conselho evangélico da pobreza, a imitação de Cristo, que “sendo rico se fez pobre por nós, para nos enriquecer com a sua pobreza”, exige de nós uma pobreza real de espirito, pois a pobreza consiste na descoberta da riqueza do Reino que converte todos os homens em proprietários de um mesmo bem e em participantes de uma vocação comum, herdeiro da mesma promessa do Reino. O conselho evangélico de obediência configura-nos com Cristo, por nós obediente a vontade do Pai “Até a morte e morte de cruz”. Comporta submissão, em espirito de fé e amor, a vontade de Deus, expressa pelos legítimos superiores, em conformidade com as diversas constituições aprovadas, pela igreja, em ordem a colaborar da edificação do corpo de Cristo, segundo os desígnios de Deus. A obediência Religiosa consiste na oferta da própria vontade e do próprio “eu” como sacrifício de si a Deus em vista de uma união mais estável e segura com a vontade salvífica do próprio Deus. Pela obediência é produzido em nós a vida de Cristo. No voto da obediência dizia nossa Madre: “Maior liberdade é obedecer”.
O caráter das Irmãs Pequeninas é ver em todas as coisas a vontade de Deus e segui-la. O fruto do amor é a obediência, porque Nosso Senhor diz: “O que me ama guarda minhas palavras”.
As exigências dos conselhos Evangélicos levam a pessoa a uma maturidade de vida em Cristo; favorece a purificação do coração e a liberdade espiritual; torna os consagrados disponíveis para o serviço do Evangelho, para o amor concreto aos irmãos, pois, os conselhos evangélicos manifestam o sentido radical do Evangelho, de que dão testemunho, enquanto são um “sim total” ao amor de Deus e do próximo.
Em nosso Instituto, além dos votos de obediência, pobreza e castidade fazemos um quarto voto, o de Sacrifício de louvor. Nossa Madre diz que quando se abraça com o compromisso generoso que nasce do amor, os votos contribuem para a purificação do coração e a liberdade espiritual.
Alguém poderia ainda pergunta-se como a alma consegue viver desse modo? Bem poderíamos dizer que esta é uma verdadeira forma de ser livre. Acaso não seria doce estarmos presas a Cristo? Acaso se compreendessem não queriam todos os homens não só viverem, mas morrerem por este mistério?

 


Irmã Sandra Maria

Mestra de Aspirantes

Profissão Religiosa e Conselhos Evangélicos